quinta-feira, 24 de outubro de 2019
RITUAL XAMÂNICO COM A TRIBO SHAWÃDAWA
Ritual Xamânico / Pajelança Shawãdawa com Nazinho Tetepawã Shawã e Ana Shawã
Templo Polimata Jundiaí
É com imensa honra que neste mês receberemos mais 2 irmãos da respeitada tribo Arara Shawãdawa, representados por Nazinho Tetepawã Shawã e sua esposa Ana Shawã.
O casal irá realizar a pajelança, seguindo as raízes de sua tradição, com a consagração da medicina ayahuasca, com rodas de rapé, sananga e o ritual de kambô realizado sempre aos domingos de manhã após os rituais.
Haux haux haux!
PROGRAMAÇÃO E INSCRIÇÕES:
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
OXUM, A RAINHA DAS ÁGUAS DOCES
Na África Oxum é muito associada a prosperidade, muitas músicas e lendas demonstram seu amor pelo cobre, o metal mais precioso do país Iorubá nos tempos antigos. E assim como os rios abundantes ela traz essa energia prospera em nossas vidas quando cultuada.
Oxum também está associada ao amor, a mãe afetuosa que ampara seus filhos nos momentos de aflição. Em nós ela trabalha muito bem as emoções, seus fluidos aquáticos mexem facilmente com os nossos sentimentos, limpando tudo aquilo que nos sufoca e purificando-nos para novas etapas de nossas vidas. Quem se distancia da energia dessa Orixá costuma a ficar frio e sem sentimentos.
Oxum nos ensina que a lagrima é o remédio mais eficaz para purificar o nosso espirito de energias densas, é através das lagrimas que liberamos as emoções de magoas, angustias e raiva e só depois desse processo de cura que conseguimos retomar nossa caminhada.
Ela representa a feminilidade, o empoderamento feminino, a autoestima, o amor próprio, ensina seus filhos a se amarem e se aceitarem como pessoas, a cuidarem bem de si em todos os aspectos: físico, emocional e espiritual. Oxum gosta das coisas limpas, bonitas, elegantes e equilibradas.
Rainha das águas doces, controla toda a parte criadora, sem a água doce não existiria vida no planeta. Ela também controla a fecundidade, as mulheres que desejam ter filhos dirigem-se a ela e sempre são atendidas com sua generosidade.
Ponto de Força das Cachoeiras
Mamãe Oxum rege o importante ponto de força das cachoeiras. Os pontos de forças são locais na natureza que possuem a mais pura vibração do Orixá, são considerados santuários naturais. Quando a pessoa adentra nas cachoeiras, pode sentir a vibração e força das águas, limpando e purificando, trazendo a energia do amor e da prosperidade. Os fluidos vão harmonizando todo o ser e quando a pessoa se despede da cachoeira geralmente sente-se renovado.
Itan: Oxum faz as mulheres estéreis em represálias aos homensQuando todos os Orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas.Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis.Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam em suas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhes então que, sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo.De volta a terra, os Orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que ela acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados. Oxum é chamada de Ìyálóòde (Iaodê) título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade.
Refletindo sobre o Itan, podemos observar que Oxum traz a energia do empoderamento feminino, quando as mulheres foram excluídas das decisões importantes, ela demostra seu poder e sua importância perante a sociedade e conquista seu lugar com grande mérito. Fica claro também a importância das águas em nossas vidas, sem água doce não há vida, a vida não se mantém e não se cria sem as águas, precisamos preservar esse bem tão preciso e respeitar a grandeza desse elemento curador.
v Cores: Amarelo Ouro
v Saudação: Ore yè yé o!! (Significa – Chamamos a benevolência da mãe)
v Dia da semana: Sábado
v Elementos: Águas doces
v Símbolos: Leque com espelho (Abebé)
v Oferendas: Omolocum, Pera, melão, mamão, bananas, joias, flores amarelas.
Ore yè yé o mamãe Oxum!
Minhas mais humildes reverencias!
Juliane Camargo
ReferênciasAs Sete Linhas da Umbanda: A religião dos mistérios – Rubens Saraceni – São Paulo: Ed. Madras, 2017;As Cartas dos Orixás – Celina Fiovarani – São Paulo: Ed. Pensamento, 2009;Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – São Paulo: Ed. Companhia das letras, 2001.Notas sobre o culto aos Orixás e Voduns na Bahia de todos os santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África – Pierre Verger – tradução: Carlos E.M Moura – São Paulo: Ed. Universidade de São Paulo, 2012;Tarô dos Orixás – Ademir Barbosa Junior – Ed. Anubis, 2015;
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Śrī Sarasvatī
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Sarasvatī Devī!
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| Śrī Sarasvatī |
Śrī Sarasvatī é conhecida como a deusa do conhecimento, das artes, do aprendizado e da cultura, entre outros atributos.
O Sarasvatī Pradhan Pūjā, o principal dia de culto, homenagem e oferendas à Śrī Sarasvatī se dará, neste ano, no dia 5 de outubro.
Etimologicamente, do sânscrito, seu nome é composto por “sāra” (essência) + “sva” (do ser), o que pode ser traduzido de forma livre como “aquela que conduz ao autoconhecimento”.
Dentro dos possíveis significados de seu nome, há também relação com "aquela que flui", remetendo ao extinto, rio Sarasvatī. No Rigveda, Śrī Sarasvatī é retratada, de maneira semelhante a Śrī Ganga, à personificação do rio Sarasvatī.
Śrī Sarasvatī é usualmente representada com quatro braços (em alguns casos, com apenas dois). Em uma de suas mãos ela carrega os Vedas, representando o conhecimento. Em outra ela carrega uma japamālā, remetendo ao processo devocional (bhakti) e em duas delas uma vīṇā, instrumento cujo domínio demanda grande disciplina e dedicação.Suas montarias podem ser tanto o ganso, que representa a virtude do discernimento, como o pavão, representando o belo, artisticamente.
Śrī Sarasvatī é a consorte de Śrī Brahmā e sua śakti. Conta-se que ela foi criada por Śrī Brahmā para auxiliá-lo, através da ordem e do conhecimento, no processo de criação do universo. No entanto, Śrī Brahmā apaixonou-se pela beleza e inteligência de Śrī Sarasvatī. Ela descontentou-se dessa situação e buscou fugir do olhar de Śrī Brahmā, o que era impossível, pois para vê-La, Śrī Brahmā foi criando outras cabeças, para poder ver em todas as direções, tendo ficado com cinco cabeças no total.
Esse processo irritou Śrī Sarasvatī, que o amaldiçoou para que ele tivesse poucos templos no mundo para adorá-lo. Quando a paixão de Śrī Sarasvatī começou a abalar a ordem do universo, Śrī Śiva, na forma de Bhairava, interveio decepando uma das cabeças de Śrī Brahmā fazendo com que ele retornasse ao seu senso.
Mesmo com isso, Śrī Sarasvatī tornou-se consorte de Śrī Brahmā, devido a necessidade de uma esposa para que ele pudesse realizar os sacrifícios necessários para se purificar. No entanto, ela manteve com a mente absenta e eles nunca se relacionaram de forma matrimonial.
Invocações mântricas
श्रीसरस्वती श्लोक
Śrī Sarasvatī śloka – verso para a boa absorção do conhecimento, deve ser recitado antes do início dos estudos
सरस्वति नमस्तुभ्यम्
वरदे कामरूपिणि ।
विद्यारम्भम् करिष्यामि
विद्यारम्भम् करिष्यामि
सिद्धिर्भवतु मे सदा ॥
sarasvati namastubhyam
varade kāmarūpiṇi ।
vidyārambham kariṣyāmi
vidyārambham kariṣyāmi
siddhir-bhavatu me sadā ॥
Reverências à Śrī Sarasvatī,
Ó, concessora das bênçãos, Aquela que realiza os desejos ।
Estou iniciando meus estudos,
Que eu alcance a realização, sempre ॥
गायत्री
gāyatrī – métrica védica de 24 sílabas, usualmente utilizada na invocação das Deidades
ॐ वाग्देव्यै च विद्महे
कामराजायै धीमहि ।
तन्नो वाणी प्रचोदयात् ॥
auṃ vāgdevyai ca vidmahe
kāmarājāyai dhīmahi ।
tanno vāṇi pracodayāt ॥
Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārājācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Sarasvatī!
Minhas mais humildes reverências.
Filipe Uveda
Sinceros e especiais agradecimentos ao meu irmão Yuri pela inspiração, ensinamentos e irmandade.
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Satsaṅg à Śrī Sarasvatī -Templo Polimata Jundiaí
PROGRAMAÇÃO E INSCRIÇÕES:
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
IANSÃ

Com uma alfange na cintura, instrumento de corte de cereais e ervas, tipicamente relacionado à colheitas e figuras que ceifam a vida, a senhora dos mortos e dos eguns não é relacionada ao companheirismo com Ogum e Xangô por acaso.
Iansã se irradia principalmente através do elemental ar, que rege os campos da Lei Divina, nos quais polariza com Ogum de forma eólica e espiralada. Essa irradiação tem o condão de sugar e magnetizar o ser que precisa ser redirecionado para a senda dentro da Lei, consumindo e esgotando a carga negativada daqueles perdidos em vícios e insensibilidade. Dessa forma, coloca-os dentro de um redemoinho ou um furacão, de acordo com a necessidade de cada um, e depois devolve-os para a linha reta traçada por Ogum para que cada ser alcance sua evolução.
Também em parceria, trabalha com Xangô de forma assentada, imutável, através do elemento fogo, regendo os campos da Justiça, companheira inseparável da Lei. A Lei Divina, sob a tutela de Iansã, nao é punitivista ou vingadora despropositadamente, mas direcionadora e revitalizadora. Nesse aspecto, temos o magnetismo que se manifesta na natureza como as tempestades. Quando companheira de Xangô, é a Senhora dos Raios.
Os relâmpagos e trovões tutelados por essa Orixá simbolizam uma carga energética de fogo e luz vindo em grande densidade do plano divino, podendo ser entendidos como uma das vozes de Deus em sua cólera e poder destrutivo e fulminante, mas também como indicativo de que a Justiça reina na terra e se comunica com os céus, uma vez que o raio, tecnicamente, surge da terra e e aí sim sobe para a atmosfera.
É preciso conceber a idéia de Justiça implacável sem desconsiderar que Iansã, ainda que guerreira, de ação súbita, capaz de descargas violentas de energia, ainda é uma das Mães divinas e portanto a todos ampara debaixo de seu magnetismo. Ela lança grandes quantidades de energia da mesma forma que o machado de Xangô, que possui dois gumes, duas polaridades, uma que destrói e outra que transforma. Da mesma maneira que o vento se forma na terra habitada fazendo subir o ar quente e velho e trazendo ar novo e fresco, também o raio movimenta finais e inícios sagrados.
Comumente ligada ao bisão (animal também conhecido como búfalo), em sua forma animal representa a coragem feminina, impetuosidade, força de ataque e fartura. A mulher-búfalo também é aquela possuidora de chifres, e que assim porta igualmente um dos maiores simbolos de nobreza, divindade, energia, força de comando e sacríficio divino.
Quando não representada como animal, carrega o chifre de búfalo na cintura, de maneira que esse aspecto de sacrifício divino, destruição de negatividades e coragem para faze-la são os aspectos que possivelmente podem ser trabalhados quando se é irradiado por Iansã. Também ela tem o condão mágico de nos elucidar a respeito do que é a Lei Divina e sua justiça, uma vez que não raro acontece de nossa concepção do justo ser diferente daquela referida pelo divino.
Texto: Beatriz Mazzini
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RITUAL EM LOUVOR AOS ORIXÁS - Iansã
Templo Polimata Jundiaí
Templo Polimata Jundiaí
PROGRAMAÇÃO E INSCRIÇÕES:
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Navarātri - Satsaṅgas à Śrī Durgā e Śrī Mahākālī
Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārāja Ācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavan!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Durgā e à Śrī Śrī Mahākālī!
Neste mês de setembro, nos Templos Polimata de Boituva, Mairiporã , Campinas e Jundiaí, celebraremos o esplendoroso Navarātri em nossos Satsaṅgas. Trata-se do festival das nove noites (nava, nove; rātri noite, em sânscrito). As formas e datas de celebração deste festival variam regionalmente na Índia. No entanto, o mais celebrado deles é o Sharada Navarātri, comemorado entre os meses de setembro e outubro. Neste caso, as manifestações femininas são o centro das festividades.
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| Śrī Durgā e Śrī Kālī |
O culto à Deusa, Devī, passou por diversos momentos dentro da história do hinduísmo, desde sua era pré védica (há cerca de 4.000 anos atrás) até o seu momento atual, após ter passado por muitas reformas e mudanças.
Ainda que ele existisse desde períodos mais remotos e em contextos próximos a uma realidade tribal, e mesmo posteriormente de forma mais estrita e regionalizada, o culto à Deusa desenvolveu-se de forma mais evidente a partir do surgimento dos Purāṇas (“antigos”, em sânscrito), escrituras sagradas que são mais acessíveis para as castas não sacerdotais.
Nesse sentido, destaca-se Śrī Durgā (“inacessível, invencível”), como uma das principais deidades femininas dotadas de atributo dentro do culto à Deusa. Inicialmente, Ela é identificada sozinha, e não como consorte de algum outro deus, com papel secundário. Posteriormente, após um processo de sincretização, ela é identificada enquanto uma das manifestações de Śakti (potência, força, energia Divina).
Śrī Durgā aparece dentro das escrituras sagradas no devīmāhātmyam, um dos textos presentes no Markandeya Purāṇa, em que se descreve Devī enquanto o poder supremo e criador do universo.
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| Śrī Durgā |
O texto narra também diversas batalhas entre os Devas e os Asuras. Nesses casos, de forma recorrente, os desequilíbrios só conseguem ser superados e as batalhas vencidas através da invocação de Śakti, quando os Deuses não mais conseguem sair vitoriosos.
Conforme descrito no Devī Māhātmya, versos 54-60, traduzidos por João C. B. Gonçalves.
“Tu és Svāhā! Tu és a oblação! Tu és a exclamação Vaṣat! És a essência da linguagem! Tu és o néctar! Tu estás nos três tempos da sílaba eterna! Mesmo eterna, tu estás no meio tempo, que soa indistintamente. Tu és a própria Sāvitrī, tu és a suprema deusa mãe| Por ti tudo isto se sustenta. Por ti este mundo é criado. Por ti é protegido, ó Deusa, e no final é sempre destruído! Com a forma criadora na origem, com a forma sustentadora na proteção, e com a forma destruidora no final deste mundo, ó mayā do mundo! A grande sabedoria, a mahāmāyā, a grande inteligência, a grande memória, a grande inconsciência, tu és a Grande Deusa, a grande soberana!Tu és a prakṛti, e tens o poder total sobre os três guṇa. Tu és a noite dos tempos, tu és a grande noite, és a violenta noite da inconsciência! Tu és Śrī, Īśvarī, tu és a modéstia, tu és a consciência caracterizada pela cognição. Tu és a vergonha, tu és a opulência, assim como a alegria, a tranquilidade e a paciência! ”
É através deste profundo clamor que a Deusa é colocada como superior à Trimurti (trindade Brahmā-Viṣṇu-Śiva), embasando a tradição Śakta, que coloca Śakti (a Deusa) como a figura central do panteão hindu.
Ainda no contexto do devīmāhātmyam, Śrī Kālī manifesta-se durante uma das mais intensas batalhas contras o Asura Mahiṣāsura, o demônio-búfalo que representa o egoísmo e a ignorância, que derrotou o rei dosdevas, o Senhor Indra, e usurpou o controle do plano celestial.
Durante a batalha de Śrī Durgā contra Cānda e Muṇḍa, Asuras que personificam a paixão e a ira, respectivamente e que eram grandes generais de Mahiṣāsura, Śrī Kālī manifesta-se a partir da fúria de Śrī Durgā, conforme descrito no Devī Māhātmya:
"Das sobrancelhas de sua testa brotou imediatamente Kālī, com sua face assustadora, carregando espada e laço. Ela portava um estranho bastão coroado por um crânio e tinha uma guirlanda de cabeças humanas, estava envolta em uma pele de tigre, e parecia horrorosa com sua pele macilenta, sua boca escancarada, aterrorizando com sua língua para fora, com olhos afundados e vermelhos, e uma boca que enchia os quatro cantos com rugidos."
Com grande violência e sem qualquer dificuldade, Śrī Kālī decapita Cānda e Muṇḍa, que lhe dá o título de Cāmuṇḍā, elevando-a ao nível de uma mātṛkā (Divina Mãe).
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| Śrī Kālī |
Neste episódio, ocorre a famosa batalha contra o demônio Raktabīja – cujo nome significa “semente de sangue” – que tinha o poder de multiplicar-se para cada gota de sangue sua que tocasse o solo. Para derrotá-lo, Śrī Kālī bebe o sangue das feridas abertas antes que este chegasse ao chão.
A forma como se concebe Kālī é muito antiga e tem se modificado com o passar de diversos contextos históricos. Na região do vale do já extinto rio Sarasvatī, há registros de um conceito de conflito da dualidade entre o selvagem e o domado há mais de 4.000 anos que remete à Kālī. Há também referências à Ela em diversas escrituras védicas, desde os Vedas aos Purāṇas.
Ligada à direção do sul, menos auspiciosa, tradicionalmente identificada com Yama, deus da morte, é indicada como uma das versões “primitivas” de Śrī Kālī, que possui uma representação registrada posteriormente como Dakṣiṇakālī (que pode ser livremente traduzido como “a que vem do sul”).
Todavia, o mistério de Śrī Kālī simultaneamente transcende e envolve todas as diferentes visões sobre sua origem. Mesmo assim, há alguns aspectos que não divergem: a sua cor é negra; ela está sempre nua, ainda que use ornamentos; um terceiro olho na testa que emite fogo, uma língua esticada e uma boca suja de sangue que quando se expande engole uma infinidade de demônios; usualmente uma de suas está em abhaya mudra, representando o destemor, a ausência de medo.
No macrocosmos, Mahākālī é a potência feminina do tempo (kāla), que move o universo manifesto e tudo devora. A Escura Mãe (“Dark Mother”, como é popularmente conhecida em inglês) é a eterna energia da evolução, cujas ações gradualmente manifestam as possibilidades divinas. Demonstra que as sucessivas mortes são o caminho para a imortalidade, e que sua escuridão é o momento que precede a aurora.
Ela reside os campos de batalha enquanto Cāmuṇḍā e quando não está em batalha reside os crematórios sob a forma de Śmaśāna Kālī, onde Ela tudo dissolve.
| Kālarātri - A noite cósmica |
Invocações mântricas para o ritual:
श्रीदुर्गा
śrī durgā
गायत्री
gāyatrī (métrica de 24 sílabas, usualmente utilizada na invocação das Deidades)
gāyatrī (métrica de 24 sílabas, usualmente utilizada na invocação das Deidades)
ॐ कत्यायिन्यै विद्महे
कान्यकुमार्यै धीमहि ।
तन्नो दुर्गा प्रचोदयात् ॥
oṃ katyāyinyai vidmahe
kānyakumāryai dhīmahi ।
tanno durgā pracodayāt ॥
“Contemplamos Aquela que é filha da perfeição,
Meditamos na Menina Pura.
Reverenciamo-nos à Inaccessível, para que nos ilumine com sabedoria.”
बीजमन्त्र
bījamantra (contém a sílaba mística raiz da Deidade – para ser repetido 108 vezes na contagem da japamālā)
bījamantra (contém a sílaba mística raiz da Deidade – para ser repetido 108 vezes na contagem da japamālā)
ॐ दुं दुर्गायै नमः
oṃ duṃ durgāyai namaḥ
Reverencio-me à Inacessível, à Invencível.
श्रीमहाकाली
śrī mahākālī
गायत्री
gāyatrī
gāyatrī
ॐ कालिकायै विद्महे
श्मशानवासिन्यै धीमहि ।
तन्नो काली प्रचोदयात् ॥
oṃ mahā-kālyai ca vidmahe
śmaśāna-vāsinyai ca dhīmahi ।
tanno kālī pracodayāt ॥
“Contemplamos Aquela que é o tempo e a escuridão
Meditamos n’Aquela que reside nos crematórios
Reverenciamo-nos Àquela que possui cor escura / que devora tudo como o tempo, para que nos ilumine com sabedoria.”
दक्षिणकालिका बीजमन्त्र
dakṣiṇakālikā bījamantra
ॐ क्रीं क्रीं क्रीं हूं हूं ह्रीं ह्रीं दक्षिणे कालिके ।
क्रीं क्रीं क्रीं हूं हूं ह्रीं ह्रीं स्वाहा ॥
oṃ krīṃ krīṃ krīm hūṃ hūṃ hrīm hrīm dakṣiṇē kālike
krīṃ krīṃ krīṃ hūṃ hūṃ hrīṃ hrīṃ svāhā
“Aquela que move o corpo sutil à Infinita Perfeição e além, corte-me o ego!
Ofereço minhas oblações à Mãe que dissolve a escuridão através da Potência Divina, que move o corpo sutil à Infinita Perfeição e além, corte-me o ego!”
Nossos satsaṅgas com Ayahuasca à Śrī Durgā e Śrī Mahākālī acontecem nos próximos sábados, dia 07/09,no Templo Polimata de Boituva, no dia 14/09 no Templo Polimata de Mairiporã e no Templo Polimata de Jundiaí e dia 21/09 no Templo Polimata de Campinas, a partir das 19h.
Siga a programação no Facebook da Agenda Polimata.
Ingressos antecipados no site da Ordem Polimata.
Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārāja Ācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Durgā e à Śrī Śrī Mahākālī!
Agradeço grandemente e de coração ao irmão Yuri pelas bases e referências proporcionadas para esse texto e para a minha devoção de forma geral.
Para um maior aprofundamento no tema, acesse outros textos aqui.
Minhas humildes reverências.
Filipe Uveda
Satsaṅga à Śrī Durgā e Śrī Kālī

Todas as Glórias à Śrī Guru Mahārāja Ācārya Mahāsūrya Paṇḍita Svāmī!
Todas as Glórias à Śrī Mahādeva!
Todas as Glórias à Śrī Bhagavān!
Todas as Glórias à Śrī Śakti Devī!
Todas as Glórias à Śrī Śrī Durgā e à Śrī Śrī Mahākālī!
Neste mês de setembro celebraremos o esplendoroso Navarātri em nosso Satsaṅga.
Trata-se do festival das nove noites (nava, nove; rātri noite, em sânscrito), que simboliza o caminho do aspirante espiritual através da jornada do (auto)conhecimento.
As manifestações femininas são o centro das festividades, uma vez que, de acordo com a tradição hindu, a realização do Absoluto – a suprema consciência desprovida de atributos – se dá a partir do mundo dos atributos – representado pelas deusas, a energia divina da Consciência Universal.
Śrī Durgā
Sobre a aparição primordial de Devī com atributos, destaca-se Śrī Durgā (“inacessível, invencível”), uma vez que a mesma é inicialmente identificada sozinha, e não como consorte de algum outro deus, com papel secundário. Trata-se do retrato de um desejo de emancipação na vida social feminina da sociedade, processo que ocorre dentro dos cultos e das práticas místicas (principalmente tântricas).
Śrī KālīNo macrocosmos, Mahākālī é a potência feminina do tempo (kāla), que move o universo manifesto e tudo devora, e que ensina ao sādhaka (caminhante espiritual) que é somente o medo da morte o que o faz mortal. No microcosmos do corpo humano, é kuṇḍalinī śakti, a essência do alento prāṇico que dá vida à matéria, e que conecta o sādhaka à sua verdadeira natureza transcendental.
Satsaṅga ( सत्सङ्ग )
Em sânscrito, "sat" significa verdade e "saṅga" significa estar em companhia, em comunhão. É o encontro entre buscadores espirituais junto a uma figura de elevada compreensão espiritual (guru), que divide seus ensinamentos por meio de discursos e estudos.)
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